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Instituto M. H. Erickson - Petrópolis
Milton Hyland Erickson nasceu no dia 05 de dezembro de 1901, numa carreta em Nevada. Portador de daltonismo, uma surdez específica para sons e dislexia, sofreu muito ao entrar na escola, pois não conseguia se adaptar aos padrões escolares. Durante toda a vida buscou transformações de padrões, com um espírito crítico e científico. Aos cinco anos de idade afrontou o avô ao afirmar que as batatas cresciam em qualquer época e em várias posições. Plantando-as, comprovou o que disse. Possuía dificuldades em distinguir o número “3” da letra “m”, até um insight através de alucinação luminosa e visual, onde percebeu a similaridade das posições com um cavalo de pé e um cavalo pastando, talvez sua primeira aprendizagem num estado amplificado de consciência. A partir desta experiência começou a entrar em estados auto-hipnóticos espontâneos, talvez como facilitador de aprendizagem. Sofreu um ataque de poliomielite aos 17 anos que marcou o restante de sua vida, gerando muitas dores e colocando-o em contato consigo mesmo e com os outros de uma maneira diferenciada.
Num dia de febre intensa alguns médicos foram convidados a avaliarem seu estado de saúde. Relataram à sua mãe que Erickson não passaria daquela noite. Ele ouviu o comentário e sentiu uma raiva imensa, como pode alguém dizer à uma mãe que seu menino estaria morto pela manhã? Então pede a ela que rearranje a posição do guarda-roupa para que o espelho refletisse o que acontecia do lado de fora, no intuito de não se deixar morrer sem ver mais um sol se pondo. Ao anoitecer entrou em coma por três dias e, ao retornar, conseguia mexer apenas os olhos e deglutir voluntariamente. Iniciou então seu aprendizado da linguagem não verbal através de observação refinada e senso crítico, pois, naquele momento, somente podia observar.
Buscando uma solução para seu estado, começou um processo de acessar lembranças reais de seu próprio desenvolvimento, em lugar de utilizar a imaginação para conquistar aquilo que havia perdido. Em vários momentos, entrava em auto-hipnose para transformar a dor que sentia quase todo o tempo. Foi surpreendente, mas um jovem de 17 anos havia descoberto os princípios ideo-dinâmicos da hipnose e os utilizou com afinco até o final de sua vida. Iniciou um processo gradual de recuperação, utilizando um trabalho a partir da motivação.
Ao final da vida, Milton H. Erickson dizia que um paciente deve estar tão motivado a realizar algo, que pode chegar a pensar que ou faz, ou morre. Utilizou muito a auto-hipnose com estímulos prazerosos para distrair a dor, pedindo que seu inconsciente cuidasse dele. Era um ser humano muito inspirador, usufruindo cada momento de prazer em sua vida.
Foi considerado o Pai da Hipnose Moderna pela forma diferente de utilizá-la. Um terapeuta original e criativo, talvez o primeiro a realizar psicoterapia para além dos muros do hospital, saindo para passear com os internos, fazendo os processos terapêuticos sob medida.
Considerado também o maior psicoterapeuta de sua época, Milton H. Erickson foi um homem forte e confiante em si, que respeitou suas próprias idéias e percepções. Oferecia outras possibilidades de ver o mundo ou outros caminhos e buscava ver ou ouvir o paciente minuciosamente para tentar imaginar qual é o outro lado da história. Reforçava a individualidade dos valores, da história, das experiências, dos pensamentos e dos estilos de interação. Utilizava múltiplos níveis de comunicação em sua prática terapêutica, observando muitas vantagens nas dificuldades. Evitava as explicações e as análises, conhecia profundamente as etapas de desenvolvimento e os ciclos de vida do ser humano, assim como as possíveis disfunções que existiam e as que poderiam acontecer. Foi um ser humano que trabalhou para oferecer o melhor de si mesmo às pessoas, colocando pouca atenção no passado como marco das relações do problema. Promovia mudanças e se orientava para a busca de soluções. Considerava o diagnóstico como limitante para o pensamento das pessoas. Possuía um grande respeito pela liberdade e pela individualidade. O processo de envelhecimento foi levando-o à confrontação. Enfocava o contato com novas capacidades para os pacientes. Foi um dos seres humanos mais contentes por estar vivo, valorizando a vida em muitos níveis.
