A
Hipnose na Prática Médica
Adriano de Azevedo Maury – Graduando de Medicina da Fundação
Técnico Educacional Souza Marques e Interno da Santa Casa da Misericórdia
do Rio de Janeiro
O maravilhoso mundo do amanhã é o
hoje! Engraçado dizer isto, mas estamos vivendo no maravilhoso
mundo do amanhã. O que ontem era novo agora já é
velho, o aprendizado é diário e o saber é colossal.
É um mundo dinâmico, no qual, enquanto eu escrevo e você
lê esta frase, muito já se pensou, muito já se modificou
e muitas coisas foram criadas.
No entanto, sabemos que esta visão do mundo é puramente
entusiasta. Então porque não deixarmos de lado o negativo
e contemplamos as criações do homem, as ciências e
principalmente a arte de curar?
Uma nova maneira de pensar dentro da Medicina
está nascendo. Não estou falando de medicinas alternativas
e nem me referindo a criticas a Medicina tradicional. O que venho apresentar
é produto da sociedade cientifica. É o que hoje conhecemos
de melhor como método de pesquisa na área da saúde.
Isso tudo é simplesmente a Medicina Baseada em Evidências,
a grande revolução na maneira de pensar. Mas como funciona?
Na verdade é bem simples. A grande lei deste novo pensar é
observar os resultados clínicos, ou seja, o que foi trazido de
benefício efetivo para vida do paciente. Sem apego a teorias ou
razões cientificas, não mais necessitamos de comprovação
do “como funciona?” mas sim observamos os resultados clínicos
da terapia ou farmacoterapia em questão. E é aqui que hipnose
entra. Graças às pesquisas baseadas em evidências
clínicas, a hipnose é hoje, comprovadamente eficaz como
tratamento de diversas doenças. Assim, como se fosse um grande
abraço em um amigo há muito distante, a Medicina resgata
sua união com a hipnose.
Muito há de ser estudado sobre a hipnose
e seu potencial ainda não foi totalmente explorado. Ainda sim,
já temos algumas indicações médicas para a
hipniatria. Dois grandes grupos de transtornos mentais são umas
das suas principais indicações: os transtornos somatoformes
e conversivos.
Sobre o transtorno somatoforme, resumidamente,
podemos dizer que sua característica essencial diz respeito à
presença de sintomas físicos associados à procura
de assistência médica na qual não se encontram anormalidades
orgânicas que os justifiquem. Neste tipo de transtorno, apesar da
existência de alguma sintomatologia física, ela não
é capaz de explicar a natureza e a extensão dos sintomas,
bem como o sofrimento ou as preocupações do sujeito.
Há vários tipos de transtornos somatorformes.
Os mais comuns são:
O transtorno de somatização: é caracterizado essencialmente
pela presença de sintomas físicos, múltiplos e recorrentes.
A maioria dos pacientes teve uma longa e complicada história de
contato com a assistência médica durante a qual muitas investigações
clínicas ou até mesmo cirúrgicas podem ter sido realizadas.
Os sintomas podem estar referidos a qualquer parte ou sistema do corpo.
O curso da doença é crônico e flutuante, e freqüentemente
se associa a uma alteração do comportamento social, interpessoal
e familiar
O transtorno hipocondríaco: a característica essencial é
uma preocupação persistente com a presença eventual
de um ou de vários transtornos somáticos graves e progressivos.
O transtorno doloroso somatoforme persistente: a queixa predominante é
uma dor persistente, intensa e angustiante, dor esta não explicável
inteiramente por um processo fisiológico ou um transtorno físico,
e ocorrendo num contexto de conflitos emocionais e de problemas psicossociais
suficientemente importantes para permitir a conclusão de que os
mesmos sejam a causa essencial do transtorno.
O outro grande grupo é dos Transtornos Conversivos.
Estes apresentam sintomas ou déficits afetando a função
motora ou sensorial voluntária, que sugerem uma condição
neurológica ou outra condição médica geral.
Presumivelmente, há fatores psicológicos associados. Este
julgamento fundamenta-se na observação de que o início
ou a exacerbação do transtorno é precedido por conflitos
ou outros estressores. Existem subtipos que são anotados com base
na natureza do sintoma ou déficit apresentado:
Com Sintoma ou Déficit Motor: Este subtipo inclui sintomas tais
como prejuízo da coordenação ou equilíbrio,
paralisia ou fraqueza localizada, dificuldade para engolir ou "nó
na garganta", afonia e retenção urinária.
Com Sintoma ou Déficit Sensorial: Este subtipo inclui sintomas
tais como perda da sensação de tato ou dor, diplopia, cegueira,
surdez e alucinações.
Com Ataques ou Convulsões: Este subtipo inclui ataques ou convulsões
com componentes motores ou sensoriais voluntários.
Considerando a vigência destes transtornos
na pratica médica e o número de pacientes afetados, chegando
a 2% da população geral, conclui-se que novas terapias são
bem vindas. Um tratamento importante para as pessoas que sofrem destes
males é sem duvida a hipnose. Além de ser segura, não
apresentar efeitos colaterais, ter um objetivo curativo, ela é
considera por muitos especialistas a principal indicação
terapêutica nestes casos. E os instrumentos desta mudança
(cura) são os hipnoterapeutas, que podem ser psicólogos,
dentistas, médicos, terapeutas, ou seja, todos aqueles que possuem
qualificação para isto.
Uma vez que vivemos no mundo do amanhã,
onde as mudanças nunca param, precisamos obter o máximo
de conhecimento possível. A hipnose é um resgate de uma
sabedoria milenar que atualmente vem sendo estudada como um conhecimento
cientifico moderno. Por conseguinte, é interessante ao médico
conhecer a hipnoterapia e até realizá-la em seu consultório,
entretanto o indispensável é que todos os médicos
tenham conhecimento de suas indicações e contra indicações.
Além dos transtornos já mencionados, outras indicações
conhecidas são: Para o alívio da dor, principalmente nos
casos de dor intratável, produzindo anestesia ou analgesia; nos
diferentes setores da clínica e cirurgia, especialmente na obstetrícia;
como agente tranqüilizante no alívio dos estados de ansiedade,
apreensão ou tensão, qualquer que seja a sua causa; em qualquer
situação onde a psicoterapia possa ser útil; no controle
dos estados fóbicos, depressivos e ansiosos, nos quais é
considerado agente psicoterápico eficaz; no controle da hemostasia
e da salivação observada durante o tratamento dentário;
em crianças, no aprendizado, na redução das tensões
ansiedades e temores, na hiperatividade e na correção de
hábitos danosos como o roer unhas (onicofagia), chupar o polegar,
etc; no controle de alguns hábitos, como o alcoolismo, o tabagismo
e a drogadicção e experimentalmente, em qualquer pesquisa
no campo psicológico e neurofisiológico.
É necessário, porém, ficar atentos às suas
contra-indicações. A hipnose não deve ser usada:
na remoção de sintomas pura e simplesmente, quando não
se sabe a causa de sua ocorrência; em qualquer condição
onde o estado emocional do paciente não foi determinado; sem objetivo
definido, apenas para satisfazer o ego do paciente ou do profissional;
para abolir determinadas sensações, como a fadiga.
Além disto é importante lembrar que apesar dos transtornos
mentais serem grandes conhecidos de todos os profissionais que trabalham
na área de saúde mental, o ato de diagnosticar os transtornos
é responsabilidade médica.
O médico se faz necessário pois tanto os transtornos Somatoformes,
quanto os Conversivos têm como diagnostico diferencial doenças
importantes que não tratadas farmacologicamente em tempo hábil
pode trazer grande prejuízo ao paciente. Por exemplo no transtorno
somatização temos como diagnóstico diferencial a
esclerose múltipla, miastenia gravis, o lupus, AIDS, porfiria aguda
intermitente, hiperparatireoidismo, hipertireoidismo e as infecções
sistêmicas crônicas.
Aprofundando-nos no conhecimento da hipnose, tornando-a cada vez mais
científica vamos fazer dela uma revolução na arte
de curar e um instrumento de união de todos os profissionais de
saúde, afinal nosso objetivo é o mesmo: curar, tratar, dar
conforto ou simplesmente esta ao lado daqueles que precisam.
Bibliografia:
Kaplan HI, Sadock JB & Greeb AJ Compêndio
de Psiquiatria: Ciências do Comporta¬mento e Psiquiatria Clínica.
9ª ed
DSM-IV: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações
Mentais
CID-10: Classificação Estatística Internacional de
Doenças e Problemas Relacionados
http://www.datasus.gov.br 11:35pm 24/12/2007
Contato:
adrianomaury@yahoo.com.br
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